segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Depoimento de acompanhante de paciente


“Eu nem sabia que existia algo assim, pensei que era coisa de político. Tem tanta corrupção no País, que a gente acha que tudo é “corruptível”. Mas é uma coisa séria, não tem nem dimensão da seriedade que isso tem e você nunca recebe um não.
Isso me estimulou a ser solidária porque agora a gente tenta ajudar quando alguém liga.
Se eu ganhasse um prêmio bom, eu dividiria com o GAPC.
Eu gosto de fazer o boca a boca, falo para as pessoas que assim como o GAPC me ajudou, e me recebeu bem, eles também podem ser bem recebidos aqui.”

Isabel Cristina Soares é mãe da paciente Jaqueline Soares, atendida  pelo  GAPC.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

CÂNCER DE COLO

Dr. Gilberto de Paiva Lopes
Ginecologista / Obstetra



O câncer de colo uterino é o câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, correspondendo a aproximadamente 24% de todos os cânceres. Pode ser de vários tipos, pré-invasora: NIC (neoplasia intraepitelial cervical), geralmente assintomático, mas facilmente detectável ao exame ginecológico periódico (preventivo de câncer).

Os principais fatores de risco (que favorecem) o câncer de colo uterino são:
1-
baixo nível sócio-econômico
2-
precocidade na primeira relação sexual
3-
promiscuidade (múltiplos parceiros)
4-
parceiro sexual de risco
5-
Multiparidade
6-
primeira gestação precoce
7-
Tabagismo
8-
radiação prévia
9-
infecção por papilomavírus(HPV)
10-
herpes vírus
Prevenção
A prevenção do câncer de colo uterino passa por cuidados e informações sobre o uso de preservativos, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e a orientação sexual desestimulando a promiscuidade. A nível secundário de prevenção está o exame ginecológico periódico.
O quadro clínico de pacientes portadoras de câncer de colo uterino pode variar desde ausência de sintomas (tumor detectado no exame ginecológico periódico) até quadros de sangramento vaginal após a relação sexual, sangramento vaginal intermitente, secreção vaginal de odor fétido e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados da doença.
O diagnóstico é predominantemente clínico. A coleta periódica do exame citopatológico do colo uterino (também chamado de exame pré-câncer ou Papanicolau) possibilita o diagnóstico precoce tanto das formas pré-invasoras (NIC) como do câncer propriamente dito. No exame ginecológico rotineiro, além da coleta do citopatológico, é realizado o Teste de Schiller (coloca-se no colo do útero uma solução iodada) para detectar áreas não coradas, suspeitas. A colposcopia (exame em que se visualiza o colo uterino com lente de aumento de 10 vezes ou mais) auxilia na avaliação de lesões suspeitas ao exame rotineiro e permite a realização de biópsia dirigida (coleta de pequena porção de colo uterino) e conização, para estadiamento da lesão, fundamental para o estadiamento do câncer.  
Estudos recentes têm demonstrado que o HPV pode ser precursor de lesões cancerígenas, já sendo utilizado uma vacina para prevenção, a vacina quadrivalente para os tipos: 6 ,11, 16 e 18

Tratamento

Nas pacientes com diagnóstico firmado de câncer de colo uterino é necessária a realização de exames complementares que ajudam a avaliar se a doença está restrita ou não ao colo uterino: cistoscopia, retossigmoidoscopia, urografia excretora e, em alguns casos, a ecografia transretal.
O tratamento das pacientes portadoras desse câncer baseia-se na cirurgia radical e radioterapia. A quimioterapia tem sido empregada em protocolos de pesquisa. O tratamento a ser realizado depende das condições clínicas da paciente, do tipo de tumor e de sua extensão. Quando o tumor é restrito ao colo do útero os resultados da cirurgia radical e da radioterapia são equivalentes.
O tratamento cirúrgico consiste na retirada do útero, porção superior da vagina e linfonodos pélvicos. Pode ser realizada via abdominal ou via vaginal com laparoscopia. Os ovários podem ser preservados nas pacientes jovens.
O tratamento radioterápico pode ser efetuado quando o tratamento cirúrgico for contra-indicado e nos demais casos. Nas pacientes com envolvimento da bexiga e/ou reto a ra- dioterapia pode preceder à cirurgia.

Dr. Gilberto de Paiva Lopes
Ginecologista / Obstetra
Coordenador técnico do setor de ginecologia e obstetrícia do HINJA

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tabagismo – Da Glória a Decadência


No início do século passado, o fumo era pouco popular como forma de prazer, seu consumo era restrito a cerimônias religiosas tribais e indígenas no continente americano como parte de rituais onde o seu papel não se vinculava ao prazer.

A partir de 1920/30 o consumo passa a aumentar de forma exponencial, a indústria do tabaco começa a patrocinar o cinema e os grandes astros de Hollywood. Até hoje é possível rever clássicos do cinema em que o galã, a mocinha e até o bandido fumavam, como no filme Casablanca e, por incrível que pareça, até o marinheiro Popeye fumava!

A indústria do tabaco foca na juventude ligando fumo à liberdade e à independência, de tal forma que década após década, o tabagismo avança de forma exponencial.

Aparecem no começo, poucos indícios de seus malefícios, como descompensação pulmonar em portadores de asma, porém, como a população que mais fumava sempre foi a jovem, as associações do tabagismo com diversas patologias eram difíceis de se provar.

Com o avanço da ciência e da medicina, a expectativa de vida começa a aumentar, mostrando que o tabagismo a longo prazo causa graves problemas de saúde. No mundo,  tabagismo é considerado a principal causa de  doença.  Matou prematuramente 5 milhões de americanos no ano 2000. Anualmente é responsável por 400 mil mortes só nos EUA.

No Brasil, o cigarro provoca um prejuízo anual para o sistema público de saúde de pelo menos R$ 338 milhões, o equivalente a 7,7% do custo de todas as internações e quimioterapias no País. O cálculo, feito pela primeira vez no Brasil, considerou o gasto com hospitalizações e terapias quimioterápicas em pacientes de 35 anos ou mais, vítimas de 32 doenças comprovadamente associadas ao tabagismo no ano de 2005. Estima-se que 22,4% da população brasileira fumem.

No resto do mundo a mesma história se repete...

A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.720 substâncias tóxicas diferentes, que se constitui de duas fases fundamentais: a fase particulada e a fase gasosa. Na fase gasosa é composta, entre outros, por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína. A fase particulada contém nicotina e alcatrão. Essas substâncias tóxicas atuam sobre os mais diversos sistemas e órgãos, contém mais de 60 cancerígenos, sendo os principais citados abaixo:

• As substâncias tóxicas do cigarro

Nicotina – É a causadora do vício e cancerígena;
Benzopireno – Substância que facilita a combustão existente no papel que envolve o fumo;
Substâncias radioativas – Polônio 210 e carbono 14;
Agrotóxicos – DDT;
Solvente – Benzeno;
Metais Pesados – Chumbo e Cádmio (um cigarro contém de 1 a 2 mg, concentrando-se no fígado, rins e pulmões, tendo meia-vida de 10 a 30 anos, o que leva a perda de capacidade ventilatória dos pulmões).
Níquel e Arsênico – Armazenam-se no fígado e rins, coração, pulmões, ossos e dentes resultando em grangrena dos pés, causando danos ao miocárdio.

Várias doenças comuns no nosso dia-a-dia guardam relação direta com o tabagismo, entre ela diversos tipos de cânceres: boca, língua, orofaringe, laringe,  esôfago, estômago, intestino, bexiga, pulmão, rim, fígado, pâncreas, colo de útero, leucemia, ou seja, está relacionado a 60% dos casos de cânceres diagnosticados no Brasil, e no mundo.

E se não bastasse, é fator de risco importantíssimo para o surgimento do mal do século: as doenças cardiovasculares ateroscleróticas (as principais: acidente vascular encefálico – derrame e o infarto agudo do miocárdio – ataque cardíaco).

No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte todos os anos, isso sem falar do exército de pessoas sequeladas em consequência de derrames e infartos com qualidade de vida comprometida.

O tabagismo também é responsável por surgimento e agravamento de várias doenças pulmonares, entre elas a DPOC, conhecida popularmente como bronquite crônica, enfisema pulmonar e as crises asmáticas. O pulmão é gravemente atingido porque o desenvolvimento pulmonar se completa aos 25 anos – idade em que muitos jovens estão fumando há mais de 5 anos.

A osteoporose, que é um pesadelo  entre as mulheres, também é agravada pelo tabagismo.

Vale ressaltar ainda que o fumo durante a gestação é causa de aborto espontâneo e do baixo peso da criança ao nascimento.

O pior de tudo é que todos estes riscos citados ocorrem também no fumante passivo. Isso mesmo, você que fica ‘fumando’ indiretamente pelo simples fato de conviver com quem fuma.

A absorção da fumaça do cigarro por aqueles que convivem em ambientes fechados com fumantes causa:

1)    Em adultos não-fumantes:
•  Maior risco de doença  por causa do tabagismo, proporcionalmente ao tempo de exposição à fumaça;
• Um risco 30% maior que câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes que não se expõem.
2)    Em crianças:
• Maior frequência de resfriados e infecções do ouvido médio;
• Risco maior de doenças respiratórias como pneumonia, bronquites e exacerbação da asma.

3)    Em bebês:
• Um risco cinco vezes maior de morrerem subitamente sem causa aparente (Síndrome da Morte Súbita Infantil);
• Maior risco de doenças pulmonares até um ano de idade, proporcionalmente ao número de fumantes em casa.

Medidas Governamentais

Algumas empresas criaram programas anti-tabagismo pagando tratamento médico e psicológico, porém, no final de determinado prazo, todos funcionários fumantes que mantiveram o vício são convidados a sair da empresa.

A organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu o tema “juventude livre do tabaco” para a celebração do Dia Mundial sem Tabaco 2008, comemorado no dia 31 de maio.
O tabagismo é considerado pela OMS uma doença pediátrica, pois a maioria dos fumantes experimenta seu primeiro cigarro e se torna dependente antes dos 18 anos de idade. Por serem os jovens mais vulneráveis às estratégias de propaganda e marketing desenvolvidas para captar novos consumidores, observam-se números preocupantes: cerca de 100 mil jovens começam a fumar todos os dias.

O Dia Mundial Sem Tabaco oferece uma grande oportunidade para propor reflexões sobre o consumo do tabaco para toda a sociedade brasileira, sobretudo para profissionais de saúde e de educação, formuladores de políticas públicas e legisladores brasileiros.

Pare de Fumar!

Desde de dezembro de 2000, medidas governamentais vêm sendo duras no combate à propaganda e divulgação do cigarro, praticamente proibindo qualquer tipo de vinculação de bem-estar e sucesso ou mesmo esporte ao tabagismo. Além disso, fumar em alguns lugares públicos é proibido e sujeito a constrangimentos cada vez mais frequentes. Parar de fumar durante muitas décadas dependia exclusivamente da vontade da pessoa que fuma. Hoje, existem inúmeros métodos e medicamentos disponíveis para ajudar o fumante a largar definitivamente o vício.

A melhor maneira de saber é procurando o seu médico ou um especialista e perguntando como se tratar ou ajudar uma pessoa que é importante para você, a parar de fumar.


As estatísticas revelam que os fumantes comparados aos não fumantes apresentam um risco:
• 10 vezes maior de adoecer de câncer de  pulmão.
• 5 vezes maior de sofrer infarto.
• 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar.
• 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral.

Se parar de fumar agora
• Após 20 minutos, sua pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.
• Após 2 horas, não tem mais nicotina no seu sangue.
• Após 8 horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
• Após 2 dias,, seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já degusta a comida melhor.
• Após 3 semanas, a respiração fica mais fácil e a circulação melhora.
• Após 5 a 10 anos, o riso de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou.

Quanto mais cedo você parar de fumar, menor o risco de se dar mal. Quem não fuma aproveita mais a vida!

* Dr. Sérvio Paixão é Cardiologista



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Saiba mais sobre o câncer que Meire teve.

Câncer ESTÔMAGO







Prevenção


Para prevenir o câncer de estômago é fundamental seguir dieta balanceada, composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância. Ácido ascórbico (vitamina C) e betacaroteno (precursor da vitamina A), encontrados em frutas e verduras frescas, agem como protetores contra o câncer de estômago, porque evitam que os nitritos (conservantes encontrados em alimentos industrializados) se transformem em nitrosaminas. Além disso, é importante o combate ao tabagismo e a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas.


Alimentação pobre em carnes e peixes e nas vitaminas A e C, ou ainda alto consumo de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal são fatores de risco para esse tipo de câncer. Em algumas regiões brasileiras, onde os alimentos não são mantidos em geladeira e a sua conservação é ruim, o número de casos de câncer de estômago aumenta significativamente. Ingestão de água proveniente de poços com alta concentração de nitrato está relacionada à maior incidência de tumores gástricos.


Fumantes que ingerem bebidas alcoólicas ou que já tenham sido submetidas a operações no estômago têm maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer, assim como pessoas com parentes que foram diagnosticados com câncer de estômago.




Sintomas


Não há sintomas específicos do câncer de estômago. Porém, alguns sinais como perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar uma doença benigna (úlcera, gastrite, etc.) ou mesmo tumor de estômago.

Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado e presença de íngua na área inferior esquerda do pescoço e nódulos ao redor do umbigo indicam estágio avançado da doença.

Sangramentos gástricos são incomuns em lesões malignas, entretanto, o vômito com sangue ocorre em cerca de 10 a 15% dos casos de câncer de estômago. Também podem surgir sangue nas fezes, fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte (indicativo de sangue digerido).

Quando o exame físico está sendo realizado, o paciente com câncer pode sentir dor no momento em que o estômago é palpado.




Tratamento


O tratamento cirúrgico, retirando parte ou todo o estômago, além dos nódulos linfáticos próximos, é a principal alternativa terapêutica e única chance de cura. Para determinar a melhor abordagem cirúrgica, deve-se considerar a localização, tamanho, padrão e extensão da disseminação e tipo histológico do tumor. A radioterapia e a quimioterapia são considerados tratamentos secundários, que podem determinar melhor resposta da cirurgia.

Meire Cesar Veiga venceu o câncer.

Depoimento da Meire Cesar Veiga, de 55 anos, que mora em Mogi das Cruzes e venceu o câncer.





"Em 2009 comecei a sentir muita dor no estômago, a dor era constante, procurei um médico e fiz exames que ele solicitou, nesse mesmo dia passei em frente à casa do GAPC e pensei na quantidade de pessoas que precisam do apoio deles, nem imaginava que seria uma delas.

Dias depois ao receber o resultado dos exames, foi constatado câncer de estômago. A notícia me deixou sem chão, tenho um filho especial que depende totalmente de mim. Sabia que não seria fácil enfrentar essa doença.

Procurei o GAPC de Mogi das Cruzes, e ele me estendeu as mãos, fui muito bem recebida e encontrei o apoio que eu precisava.

De tudo que me ofereceram o mais importante naquele momento foi o apoio psicológico, eu estava sem forças para lutar.

Já em 2010 fiz quimioterapia e radioterapia para me preparar para cirurgia, no mês de agosto fiz novamente os exames e para minha alegria o câncer não estava mais lá, ele havia sumido, nem precisei passar por cirurgia, estava curada.

Hoje continuo fazendo exames a cada dois meses e o resultado sempre é positivo.

Agradeço ao GAPC que em todos os momentos esteve ao meu lado, me ajudou, tive forças, lutei, venci, e venço todos os dias.”